
Uma coluna de Sérgio Charlab
14 de março de 1995
Quase todos os softwares que eu uso para acessar a Internet são shareware ou, mesmo, freeware. Nos dois casos, os programas são distribuídos livremente.
Quando se trata de um shareware, você experimenta por um prazo determinado pelo aUtor. Se gostar, paga e registra o programa, muitas vezes ganhando com isto os manuais impressos e outros acessórios que compõem o software. Já com o freeware não há qualquer compromisso embora o envio de um e-mail ou um cartão-postal para o autor com agradecimentos seja considerado sinal de boa educação.

Existem sharewares e freewares da melhor qualidade. (Aliás,
existem também autores de softwares que ficaram milionários
a partir de bem-sucedidos sharewares.) Há de tudo: programas
para usar com o modem, editores de texto, visualizadores de imagens,
browsers para o World Wide Web e editores de HTML (a linguagem,
muito simples, que permite a qualquer um escrever suas próprias
páginas e publicar no WWW) são apenas alguns exemplos.

Pois bem, como fazer para receber estes softwares? Antes de tudo,
é preciso saber o que existe disponível, e fIcar atento às
novidades. Existem máquinas na Internet que são imensas bibliotecas
de programas, e que estão à disposição de usuários
de qualquer lugar do mundo. São os chamados FTP-Sites, dos quais
um deles — que não é nem o maior nem o melhor — vamos falar
agora. Trata-se do Garbo, na Finlândia. É uma biblioteca de
softwares muito bem organizada e de fácil acesso para nós,
brasileiros. Mesmo para aqueles que só dispõem de e-mail
como ferramenta de acesso à Internet

Envie um e-mail para majordomo@garbo.uwasa.fi
e escreva lá dentro info garbo-ann. Você vai receber
um arquivo de instruções, em inglês. Lendo-o, você
aprende a se inscrever na lista que anuncia periodicamente os novos softwares
à disposição em Garbo. Aprende, também, como
fazer para que estes programas cheguem à sua caixa-postal eletrônica.
Para quem desejar assinar logo a lista, basta enviar
e-mail para o mesmo local e escrever subscribe garbo-ann seu@e.mail.
Não use os colchetes e substitua "seu@e.mail" pelo seu
endereço eletrônico.

Na Internet tudo é instantaneo. Inclusive os modismos. Se há
pouco era cool (legal) falar bem da Internet, hoje já não
é. Principalmente para quem é das antigas na rede. Para ser
cool, é preciso falar mal. Dizer que a Internet vai acabar,
ou que tudo nela não passa de uma piada de hackers. Eu não
sou cool.

A Internet — seus protocolos e suas máquinas — é uma tecnologia
em evolução. A tecnologia do nosso futuro eletrônico.
Seus princípios já estão implantados. A sensação
de que, a qualquer momento, tudo pode acabar, é natural para quem
começa a ter, dentro da própria casa, acesso ao futuro prometido
pela ficção.

Mas a rede, sem dúvida, está mudando de aspecto. Robert Kahn,
um dos criadores da Internet, disse na semana passada:
— Inicialmente, as organizações comerciais viram na Internet uma concorrente. Mas, agora, reconhecem que ela é o mercado.

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