“As pessoas nunca podem estar em segurança sem informação.”
Aldous Huxley
Competitividade.
Competem as nações. Todas em busca das melhores relações comerciais para suas economias. Agrupam-se em grandes blocos econômicos. Preparam-se para o futuro.
Lemos e ouvimos isso todos os dias. Mas o que parece cada vez mais claro - e o que vai marcar a diferença entre o sucesso e o fracasso das nações neste mundo competitivo do futuro - é exatamente a Revolução da Informação. Quem se ajustar às transformações terá as melhores chances de sucesso.
Os Estados Unidos
A batalha pela supremacia na Revolução da Informação está apenas começando, mas os Estados Unidos já surgem como líderes. As idéias que compõem as bases da revolução (pelo menos, a maioria delas) se originaram e continuam a florescer naquele país.
Computadores e softwares (programas) são o coração da tecnologia da informação. E a maior parte dos computadores pessoais de hoje, no mundo, rodam com CPUs (Unidades Centrais de Processamento), fabricadas pela Intel, IBM e Motorola. A maior parte do software usado no mundo vem da Microsoft, Lotus e Novel/Word Perfect. A maior parte dos computadores pessoais do mundo são feitos pela Compaq, IBM e Apple.
Todas estas empresas estão baseadas nos Estados Unidos.
Mudanças ocorrem rapidamente na indústria de computadores, mas não parece haver qualquer competidor sério no mundo capaz de ameaçar a atual supremacia dos EUA nos chips (como as CPUs) e nos softwares. Embora a fabricação de computadores esteja se tornando cada vez mais competitiva - especialmente nas nações asiáticas -, esta ainda é uma fatia com pouca lucratividade na indústria. É o software de computador o elemento mais crítico e mais lucrativo desta indústria. Sem software, os computadores são inúteis. A norte-americana Microsoft cresceu a ponto de dominar inteiramente o mercado mundial de software. E continua a se expandir.
Visite qualquer loja de computadores de Beijing, Paris ou Rio de Janeiro e a maior parte do software à venda levará a etiqueta da Microsoft.
Também é nos Estados Unidos que o uso de computadores está mais disseminado. Segundo uma pesquisa recente da Harris Poll, 34% de todos os adultos americanos têm hoje computadores pessoais em casa; 39% usam computadores no trabalho; e 52% têm computadores ou em casa ou no trabalho. Todos estes percentuais são, de longe, os maiores encontrados no mundo.
Em relação à Internet, os Estados Unidos estão longe de seus competidores. Cerca de 65% de todos os servidores conectados à Internet estão localizados nos EUA. A Internet foi concebida e criada lá, e quase todo o software utilizado para a sua operação tem origem americana.
Os serviços comerciais on-line foram inventados nos EUA e são mais populares lá. Empresas como a CompuServe, America OnLine e Prodigy têm juntas, hoje, 6 milhões de assinantes. A CompuServe está expandindo-se mundialmente e já pode ser facilmente acessada até do Brasil. A America OnLine, que aceita usuários via Internet, também garante, pouco a pouco, presença mundial. Não há competidores sérios às empresas norte-americanas nesta crescente indústria.
As indústrias que dependem do processamento e da movimentação de informações - como os setores de serviços financeiros e de entretenimento - também estão prosperando. Empresas americanas de todos os setores industriais estão utilizando a tecnologia da informação para a sua reengenharia, em busca de competitividade.
O economista Kenneth J. Arrow, premiado com o Nobel, diz que o papel da informação está transformando a natureza da economia. “A economia americana está sendo modificada pela informação tecnológica a uma velocidade desconhecida na sua história.”
A Revolução Industrial levou os Estados Unidos de uma economia agrícola para uma industrial. Mas este foi um processo que durou 75 anos. As mudanças provocadas pela Revolução da Informação estão tomando lugar num período muito mais curto de tempo.
Por exemplo, computadores e outras tecnologias da informação respondem hoje por 50% de todos os gastos de negócios com equipamentos. Isso não inclui os milhões de dólares gastos pelas empresas em softwares e programadores a cada ano. A propósito, os gastos de negócios em maquinário tradicional, coração das manufaturas, foram de 32% de todo o investimento em 1975 para apenas 18% em 1993.
Os economistas, agora, falam numa “economia mundial”. Dizem que as nações devem criar exportações para obter sucesso. Os Estados Unidos exportaram US$ 62 bilhões em equipamentos de tecnologia de informação em 1993. E as exportações de software chegaram a US$ 2,5 bilhões naquele ano. A Microsoft tem hoje cerca de 55% de suas vendas com as exportações.
Mas há os aspectos negativos deste quadro de brilho norte-americano. Quando os Estados Unidos chegaram à Revolução Industrial, a agricultura ficou mais eficiente e milhões de agricultores perderam seus empregos. Muitos até encontraram empregos nas fábricas, mas aquele foi um período difícil. Agora há uma tendência semelhante. A Revolução da Informação fez as indústrias norte-americanas mais eficientes. Milhões de trabalhadores perderam seus empregos. E, agora, precisam ser retreinados para se tornarem trabalhadores da era da informação.
Contudo, os EUA são claramente os vitoriosos nesta etapa da Revolução da Informação. Ameaças a esta liderança certamente virão do Japão, Europa e mesmo do Brasil. É desejável que haja um equilíbrio maior das forças entre os participantes da Revolução da Informação. Mas a dominação americana em CPUs e softwares dará àquele país uma larga folga na liderança pelos anos futuros.
O Japão e a cultura
A maior parte do mundo vê o Japão como uma maravilha da tecnologia. É lá que são fabricados muitos dos produtos com os quais nos acostumamos no dia-a-dia, como as televisões, videocassetes, walkmans, máquinas de fax e fornos de microondas. Empresas japonesas como a Sony, Panasonic e NEC são conhecidas em todo o mundo por sua tecnologia, talento e capacidade de criar.
Considerando essa imagem de superpotência tecnológica, pode ser uma surpresa descobrir que, no que diz respeito aos computadores, ao seu uso e à sua disponibilidade, o Japão anda deficiente. O novo mundo econômico está se construindo em torno de idéias e serviços. E o Japão está bem atrás na utilização das ferramentas mais básicas para isso: os computadores pessoais e as redes.
Os japoneses têm hoje três vezes menos computadores do que os americanos. Apenas 10% dos homens de negócios do Japão utilizam computadores e apenas 13% destes computadores estão conectados em redes. Na comparação, mais de 50% de todos os computadores pessoais utilizados em negócios nos EUA estão conectados a redes. Para cada cinco redes no Japão, existem mais de 100 nos EUA.
Também as telecomunicações são mais caras no Japão. Uma linha (alugada) de telefone, indispensável para uma rede de computadores, pode custar 100 vezes mais no Japão do que nos EUA. Os cabos do tipo coaxial são elementos importantes no conceito de supervia da informação, porque podem carregar mais quantidade de dados do que os cabos telefônicos. Contudo, no Japão, apenas 10% dos lares estão conectados em TVs a cabo, comparados com 66% nos EUA e percentuais nesta ordem na Europa Ocidental.
O Japão está ciente desta tendência e se prepara para agir. Yutaka Umezawa, um economista e professor da Universidade de Tóquio, diz que o Japão está preparando o bote. “Disso nós entendemos muito bem.” O Ministro da Educação quer investir US$ 2,6 bilhões para levar mais computadores pessoais às escolas japonesas. E o Ministério dos Correios e Telecomunicações recentemente liberou algumas regulações na área de cabo para incentivar a competição.
As empresas privadas também estão ficando mais ativas. A Fujitsu e a NEC têm prometido ligar cada empregado por correio eletrônico em 1995. As vendas de redes locais (LAN) estão crescendo à razão de 50% ao ano e devem atingir um faturamento de US$ 5 bilhões em 1996.
Com todos estes avanços, existem ainda sérias dúvidas sobre a habilidade do Japão de participar competitivamente da Revolução da Informação.
A cultura empresarial japonesa encoraja a interação face a face. Os típicos escritórios japoneses dispõem de salas enormes, onde os administradores e gerentes sentam-se às longas mesas. A cooperação e o acordo são desejados acima de tudo, e o design dos escritórios japoneses reflete esta filosofia.
Esta tendência cultural desencoraja o uso do e-mail (correio eletrônico), ingrediente fundamental da nova era da informação. Outra desvantagem, em termos culturais, é o fato de que um e-mail não traz qualquer informação sobre a idade, gênero e status da pessoa que o envia. Exatamente isso é considerado uma qualidade pelas sociedades ocidentais, sempre em busca de privacidade.
O fax é a própria representação da relutância japonesa em se inserir no mundo dos computadores para a comunicação. É muito simples escrever os símbolos japoneses em papel e enviá-los por fax. Mas é mais difícil fazer o mesmo com um e-mail. O fax adapta-se à cultura japonesa; o computador, não.
A natureza deste novo ambiente também ameaça os costumes e a cultura japoneses. A Internet, fruto da cultura norte-americana, tem um jeito livre e democrático. Mas a cultura japonesa é autoritária, respeita a burocracia e segue numerosas regras e regulamentos. Muitos japoneses vêem-se em choque diante do relativo caos da Internet e têm dificuldade para ajustar-se ao seu estilo.
O japonês, como língua escrita, é composto de ideogramas, ao contrário dos alfabetos romanos do português e do inglês. Esta peculiaridade faz com que um computador tenha mais dificuldade para operar no Japão do que num país ocidental. Cada palavra da língua portuguesa pode ser digitada com 23 letras num teclado de computador.
Mas isso é impossível para o japonês, em que cada palavra é formada de símbolos e não de letras. Um teclado de computador capaz de escrever todas as palavras em japonês necessitaria de algo em torno de 150 mil teclas! A esperança é construir computadores capazes de entender a voz. Até lá, o Japão estará em desvantagem quando competir com as culturas que se utilizam do alfabeto romano.
Este atual status do Japão na corrida pela informação e estas questões culturais tornam difícil fazer uma previsão sobre o futuro. Mas a tradição tem feito daquele país um local capaz de reverter com habilidade atrasos em tecnologia, e ele poderá repetir o feito. No entanto, até lá, nações como o Brasil terão uma chance de se tornar mais competitivas com o Japão, o que hoje seria um sonho para muitos países.
O sonho da Europa
Uma coisa é ter um sistema de comunicação por telefonia celular capaz de atravessar fronteiras sem cair no silêncio. Outra, mais difícil, é fazer companhias de países muito diferentes - embora unidos economicamente - falarem o mesmo idioma. Otimismo não falta. A própria telefonia celular é hoje um negócio de sucesso na Europa, com um mercado de US$ 5,8 bilhões, que poderá triplicar até o ano 2000, segundo previsão da empresa suíça Prognos.
A busca de um padrão comum é a prioridade que alimenta a expectativa européia de recuperar-se do atraso em relação aos Estados Unidos no que diz respeito à velocidade das transformações que abrem caminho para a Revolução da Informação. A desregulação do setor de telecomunicações virá em 1998. Ainda que países considerados “mais atrasados”, como Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda, só farão as suas desregulações em 2003. Cada país faz sua própria análise dedicada da questão, tendo como projeto a Europa unificada. Tudo isso faz com que haja uma excitação entre as empresas para realizarem associações capazes de criar novos produtos e serviços.
Os europeus sabem que ficar para trás, nesta área, significará um declínio econômico. Algumas previsões estimam que o setor de telecomunicações passará dos atuais 4% do Produto Bruto para 7% no ano 2000. “Não estamos apenas num negócio de tecnologias atraentes. Estamos no negócio que vai estimular a economia”, diz Lord David I. Young, presidente da britânica Cable & Wireless PLC.
Foi exatamente a Inglaterra que tentou rapidamente aceitar o desafio das novas tecnologias. Os serviços telefônicos passaram pela desregulação em 1984 e empresas britânicas de redes multimídia estão hoje em passos próximos dos seus congêneres americanos. A Britsh Telecomunications PLC (BT), hoje uma empresa privada, planeja investir, junto com vários operadores de cabo, US$ 37 bilhões nos próximos seis anos em redes que carregam voz, vídeo e texto para empresas e lares. Os resultados da privatização, no entanto, não foram os esperados. Os serviços não se tornaram mais baratos e a competição é relativa, porque a BT tem mais de 90% dos usuários.
Os países em desenvolvimento
Pode até parecer estranho, mas a verdade é que alguns dos países em desenvolvimento estão bem mais preparados para se juntar à Revolução da Informação do que outros países considerados industrializados. A razão: o fato de poderem saltar etapas rumo ao que há de mais moderno.
Lugares que até recentemente sequer dispunham de comunicações telefônicas estão, agora, instalando o que há de melhor no setor. E infra-estrutura moderna de telecomunicações é um convite para estimular os investimentos internos e externos. Poderá levar décadas até que países da América do Sul, Europa Oriental e Ásia melhorem sua infra-estrutura nos setores de energia e transportes. Mas com a instalação de fibras óticas, centrais digitais e os mais recentes sistemas de transmissão sem fio, zonas urbanas de Beijing a Budapeste, passando pelas capitais latino-americanas, estão entrando na era da informação.
É mais barato montar torres de rádio do que instalar linhas pelo país, e os homens de negócios estão prontos a pagar mais por confiáveis comunicações sem fio. Videoconferência, troca de informações eletrônicas e digitais e serviços móveis já são realidade na maior parte da Ásia e partes da Europa Ocidental. Na América Latina, onde apenas 7% da população dispõem de telefones, a demanda por comunicações criou um ativo e crescente mercado para a telefonia celular.
A China planeja investir US$ 100 bilões em equipamentos de telecomunicações na próxima década, acrescentando de 50 a 80 milhões de linhas telefônicas até o ano 2000. No final de 1995, cada uma das 26 capitais de províncias chinesas estará equipada com centrais digitais e fibras óticas que as ligarão a Hong-Kong, Cingapura, Taiwan e Tailândia. Isso significa que as grandes cidades chinesas estarão equipadas com o básico para lhes garantir a participação na Revolução da Informação. Para países que estiverem por trás do que foi apresentado como moderno durante tanto tempo, o salto é irresistível.
As infovias brasileiras
São Paulo-Curitiba-Florianópolis. São Paulo-Belo Horizonte. Rio-Belo Horizonte. Belo Horizonte-Brasília-Goiânia. Rio-Fortaliza.
Quilômetros e quilômetros de Brasil estão sendo ligados pelas mais rápidas estradas do país. São longas supervias de fibras óticas, que estarão garantindo a inserção brasileira na Revolução da Informação. Esta Rede Nacional de Fibras Óticas, que tem o trecho Rio-São Paulo já em operação, ficará concluída, em sua primeira fase, até meados de 1995. A Embratel já interliga o Brasil a cerca de 40 países, por cabos terrestres e submarinos,
O cabo de fibra ótica é usado para o tráfego de voz, texto, imagem, fax e sinal de TV de alta definição. Funciona com sinais luminosos, produzidos por laser, transcodificados em sinais elétricos e, depois, em informações úteis aos usuários.
Nada disso esconde uma preocupante densidade de terminais telefônicos por habitantes. Mas o Brasil é também a 84ª pior distribuição de renda entre os 85 países relacionados na estatística do Banco Mundial. Como sempre, um país de extremos, capaz de produzir tecnologias de exportação no setor de telecomunicações, mas sempre na luta contra estatísticas sociais que teimam em não se modificar.
Um convênio entre os Ministérios das Comunicações, Educação, Ciência e Tecnologia e Cultura estabelece condições para o incremento da educação. São as “Televias da Educação”. A demanda pela informação é tremenda. A Rede Nacional de Pesquisa conduz com sucesso a introdução da Internet em larga escala no país, que terá, agora, a oferta de nós comerciais a partir do serviço prometido pela Embratel para dezembro. As empresas preparam as inserções de suas redes locais nas grandes redes nacionais e internacionais. Novos negócios prosperam com o apoio das tecnologias de comunicação e satélite. E, pelo menos, 300 serviços on-line estão ativos nas capitais e até em cidades menores, alguns deles com mais de uma dezena de linhas de acesso.
As telecomunicações no Brasil são rentáveis, não precisam do aporte de recursos do Tesouro e suas empresas estão entre as mais atrativas do mundo. Há algo intangível que segue motivando este país, onde ser visto como mais um mercado é um pecado, e onde o esforço para ser um competidor internacional no novo mercado da informação não esmorece.
A MEDIDA DA INTERNET
A Internet é o coração da Revolução da Informação. Está em crescimento no mundo inteiro, mas com taxas diferenciadas. Uma das formas de se medir o tamanho da Internet é contar o número dos chamados servidores. São os grandes computadores de empresas e instituições conectados à Internet. As pessoas conectam seus computadores a estes servidores e têm, assim, acesso à Internet.
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Jul/94 Out/94 Cresci- Partici-
mento pação no
total de
servido-
res %
América do Norte 2.172.232 2.678.288 23% 68,7%
América Latina 16.619 22.535 36% 0,6%
Europa Ocidental 730.429 850.993 17% 21,8%
Europa Oriental e Rússia 27.800 32.951 19% 0,8%
Oriente Médio 8.871 10.383 17% 0,3%
África 15.595 21.041 35% 0,5%
Ásia 111.278 127.569 15% 3,3%
Austrália 142.353 154.473 9% 4,0%
TOTAIS 3.225.177 3.898.233 21% 100%
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A tabela demonstra a clara dominação da Europa e da América do Norte (90%) do total. Também mostra a dominação do inglês. A Austrália, com uma população de 18 milhões de habitantes, tem mais servidores na Internet do que a Ásia, cuja população é de 2,5 bilhões de habitantes e inclui o Japão.
Fonte: The Internet Society
PAÍSES ONDE A INTERNET CRESCE RÁPIDO
Jul/94 Out/94 Crescimento
Argentina 248 1.287 419%
Peru 42 114 171%
Filipinas 65 152 134%
Rússia 322 734 128%
Turquia 1.204 2.000 66%
Venezuela 399 657 65%
Estônia 659 1.014 54%
Tailândia 1.197 1.832 53%
Uruguai 101 153 51%
México 5.164 7.641 48%
Nova Zelândia 14.830 20.578 39%
Costa Rica 544 745 37%
África do Sul 15.595 21.024 35%
Rep. Tcheca 5.639 7.311 30%
Brasil 5.896 7.010 19%
Nossa expectativa com esta série é estimular a participação de vocês, leitores, nesta Revolução. Vamos chegar lá, passo a passo, mas, para aqueles que se sentirem mais adiantados, teremos prazer em receber comentários, sugestões e críticas através de um endereço eletrônico especial: jb@ax.apc.org